Governo do Distrito Federal
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24/03/21 às 18h06 - Atualizado em 24/03/21 às 18h06

Ações preventivas são necessárias para garantir água no DF

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A realização de ações urgentes de conscientização para o uso racional da água no DF foi defendida nesta quarta-feira (24), pelo secretário do Meio Ambiente, Sarney Filho, durante a apresentação do estudo “Consumo de água tratada no Distrito Federal: Um retrato pós crise hídrica”, da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), divulgada na Semana da Água (22 a 26 de março).

 

Realizado com dados disponibilizados pela Adasa e Caesb, o estudo demonstrou que após o período da crise hídrica severa, entre 2017 e 2018, a população do DF retomou os padrões de consumo anteriores a esse período, apesar do consumo em 2019, de um modo geral, ter sido um pouco inferior ao do ano de 2016.

 

“Os padrões de consumo estão voltando a ser como eram antes da crise. Isso nos alerta para a necessidade de campanhas educativas, como forma de prevenção, pois uma ação importante sempre será a conscientização da população no que diz respeito ao consumo de água”, alertou o secretário.

 

De acordo com o estudo, mais de 80% da água distribuída pela Caesb é destinada ao consumo residencial, em seguida aparecem: irrigação (16,3%), uso animal (2,0%), rural (1,5%) e industrial (0,2%). Os números, de acordo com o estudo, reforçam a necessidade de participação e conscientização da população para o  consumo consciente, considerando, também, o crescente aumento da população e expansão urbana. Diante desse quadro, será necessário um grande esforço para suprir a demanda hídrica nas próximas décadas.

 

Para Sarney Filho é urgente a necessidade de uma ação conjunta dos órgãos envolvidos com o tema, para reverter essa tendência. “Temos que começar já. Ainda mais pelos prognósticos do que vai acontecer com o Cerrado por conta das mudanças climáticas, que são inevitáveis e já estamos vivenciando. No que compete a Sema estamos tomando todas as providências para que possamos mitigar e prevenir esses efeitos no meio ambiente.”, afirmou.

 

O secretário ressaltou que para chegar nos reservatórios a água percorre todo um caminho, e essa cadeia de produção de água precisa ser preservada. “A água não nasce nos reservatórios, ela nasce nas pequenas nascentes que formam os pequenos riachos, que formam os rios e daí vai para os reservatórios. Então é preciso que a gente cuide de toda essa longa caminhada da produção até o consumo. O governo do Distrito Federal, através da Secretaria do Meio Ambiente, tem tentado recuperar as áreas de proteção empreendendo ações por meio de estudos e projetos-piloto, ” explicou.

 

Desafios

 

Para Kássia Batista de Castro, Gerente de Estudos Ambientais da Codeplan, o desafio para o futuro é continuar provendo água para a população nas próximas décadas e para isso alguns aspectos precisam ser considerados.

 

“Os fatores que mais vão impactar na nossa região são os eventos extremos, tanto de cheias, quanto de secas, como ocorrido em 2017 e 2018. Não podemos prever uma crise hídrica, mas podemos adotar ações para mitigar os efeitos quando ela acontecer. Para ter segurança hídrica precisamos garantir acesso a água de qualidade e quantidade para a população, para as atividades produtivas e a preservação dos ecossistemas, para que o ciclo hidrológico continue funcionando e esteja disponível nos reservatórios”, enfatizou a especialista.

 

Programas

 

Em sua fala, Sarney Filho afirmou que o governo do DF vem aprofundando o desenvolvimento de projetos expressivos e avançando em novas iniciativas no DF.

 

Ele citou o Programa Produtor de Água, qlum projeto de sucesso com o foco em Pagamento por Serviços Ambientais no Pipiripau, que foi estendido para a Bacia do Descoberto, com a celebração, em março de 2019, de acordo de cooperação técnica entre 20 instituições do governo e da sociedade civil, para orientar e incentivar práticas de uso sustentável dos recursos naturais.

 

“Na Sema, junto com o Projeto CITinova – Planejamento Integrado e Tecnologias para Cidades Sustentáveis, estamos trabalhando  na recomposição de vegetação nativa em 80 hectares de áreas de preservação permanente de nascentes, áreas de recarga hídrica e demais Áreas de,Prtoteção Permanente – APPs degradadas ou alteradas nas Bacias do Rio Descoberto e do Rio Paranoá, visando à manutenção e recuperação de seus aquíferos”, disse. Os projetos são estratégicas para a recuperação ambiental, pois concentram nascentes e cursos hídricos que contribuem diretamente no abastecimento público do Distrito Federal.

 

Sarney Filho também destacou o projeto piloto de Sistemas Agroflorestais Mecanizados, com apoio ao pequeno produtor rural, com insumos, capacitação e assistência técnica. O programa permite o uso sustentável nas propriedades rurais, a regularização ambiental e a recomposição e proteção das APPs degradadas ou alteradas. A experiência está sendo realizado em 20 hectares, envolvendo 37 famílias. O foco é garantir que esses sistemas agrícolas mais amigáveis do ponto de vista ambiental contribuam para a continuidade de produção de água em qualidade e quantidade nas duas bacias hidrográficas que abastecem a maior parte da população de Brasília.

 

Já o Projeto de Recuperação da Orla, que recupera APPs ao longo da orla do Lago Paranoá contribui para a manutenção das paisagens e das múltiplas funções ecológicas da orla do Lago, com destaque para a estabilidade das margens, de corredores ecológicos e da biodiversidade, além de proporcionarmos à população condições mais sustentáveis de uso desse importante espaço de lazer da cidade.

 

O Poupa DF — Programa de Otimização do Uso Prioritário da Água, tem por objetivo promover a redução progressiva do consumo de água nos edifícios públicos do Distrito Federal, desenvolvendo e consolidando uma cultura do uso eficiente da água. “Criado em 2018, esse projeto foi inteiramente abraçado por nossa gestão. Cada órgão forma uma comissão interna, responsável pela implantação do Programa na respectiva edificação pública, tendo atribuições como monitoramento diário do consumo, revisão das instalações hidráulicas prediais e realização de atividades de sensibilização dos servidores para a adoção de boas práticas no uso da água”, afirmou.

 

Durante o ano de 2019, foram desenvolvidos estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental e, em 2020, nossa equipe elaborou a proposta de um programa de reúso de águas não potáveis — cinzas e pluviais (Programa de Aproveitamento e Reúso de Águas do Distrito Federal, PRARA-DF).

 

O objetivo central é incentivar o uso sustentável da água não potável por meio de Sistemas de Reúso de Águas Cinzas, SRAC, e de Sistemas de Aproveitamento de Águas Pluviais, SAAP, na área urbana do Distrito Federal, visando à melhoria das condições de salubridade ambiental urbana e dos corpos hídricos receptores das redes de drenagem pluvial. Visamos também à redução dos efluentes domésticos na rede de esgotamento sanitário e à redução do consumo da água tratada para usos menos nobres.

 

Assessoria de Comunicação

Secretaria do Meio Ambiente