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21/06/17 às 11h19 - Atualizado em 30/10/18 às 11h48

Animais do Zoológico de Brasília superam expectativa de vida

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Notícias

Da Agência Brasília

Os 35 bichos idosos da instituição têm cuidados diários especiais, a exemplo da babuíno-sagrado fêmea Capitu, com 26 anos de idade

Fundação Jardim Zoológico de Brasília mantém em seu plantel animais idosos de 16 espécies. São 35 bichos que recebem, diariamente, alimentação balanceada e cuidados específicos para a idade avançada. Eles colaboram com estudos e pesquisas de conservação, pois poucos, em vida livre, têm vida tão longa.

A tigresa-de-bengala Laila, de 20 anos — o que equivale a uma senhora de 80 ou 90 anos — é um exemplo. Ela nasceu em 27 de dezembro de 1996 na fundação e divide o espaço com Rabisco, companheiro da mesma espécie. Ele é mais novo, tem 15 anos, mas também é considerado idoso.

Esses felinos vivem em média 14 anos na natureza e estão ameaçados de extinção. Nos zoológicos, podem chegar a 20 anos. O motivo do aumento da expectativa de vida dos animais não é um mistério. Como no caso das pessoas, o cuidado com a saúde dos bichos está muito mais sofisticado.

O Zoológico de Brasília participa de projetos mundiais de conservação para trocar informações com o objetivo de garantir diversidade genética desses felinos. A instituição é uma das grandes reprodutoras do País: somente entre 1982 e 2002, nasceram 57 tigres-de-bengala em Brasília.

“A Laila é um dos conjuntos genéticos mais bem representados no País, seus filhos vão colaborar para a conservação da espécie. Além disso, com a Laila, avançamos muito em questões de manejo e bem-estar”, afirma o diretor-presidente da fundação, Gerson Norberto.

Estruturas adaptadas para os animais idosos

Outra integrante do time da terceira idade do Zoológico de Brasília é a Capitu, babuíno-sagrado fêmea nascido em 28 de novembro de 1990. Aos 26 anos, ela precisa de alguns cuidados para facilitar a locomoção.

“Normalmente, o recinto dos babuínos tem muitas estruturas altas para que eles se movimentem. Para a Capitu, fizemos algumas rampas, além de estruturas um pouco mais baixas, tudo para dar conforto e facilitar a vida dela”, destaca o diretor de Mamíferos, Filipe Reis.

A Fundação abriga outros mamíferos idosos, como a Jeniffer, um cervo-nobre fêmea de 20 anos, e a Sic, uma ariranha que tem 14 anos. Além delas, há uma cutia, de 11 anos, um veado cariacu, de 14 anos, e um waterbuck, de 13 anos. “Eles têm um manejo específico, observação diária, alimentação balanceada”, afirma Reis.

Zoo de Brasília abriga aves de até 23 anos de idade

Apesar de as aves não apresentarem características de longevidade tão visíveis quanto os mamíferos, é possível ter ideia da idade avançada de algumas espécies pelo tempo em que estão na fundação.

As mais antigas do plantel são um casuar e um cisne-negro, de 15 anos; um arapapá e um guará, de 23 anos; um avestruz, de 17 anos; e um emu, de 13 anos.

Os arapapás, por exemplo, estão no zoológico desde 1996, alguns indivíduos têm 21 anos de vida. “Dos 68 animais que temos dessa espécie, 18 são idosos”, destaca a diretora de Aves, Ana Cristina Castro. “Algumas de grande porte podem apresentar palidez nas penas, mas, em geral, elas não aparentam características com o avanço da idade.”

Idade estimada dos répteis

Há ainda cinco répteis com idade avançada na fundação: três cascavéis, uma jiboia e uma jararaca caiçaca. As cascavéis chegaram juntas em 2000, trazidas de resgate pela Polícia Militar, sem registros biométricos, data de nascimento e local de coleta. Levando em consideração a data da chegada, elas estão com 17 anos de idade. A expectativa de vida média destes animais é de 20 a 25 anos.

A jararaca foi entregue por um visitante em 2003. Considerando essa data, ela teria 14 anos. Segundo o diretor de Répteis, Alberto Brito, informações registradas em cativeiro sugerem que a expectativa de vida média desses animais é de 16 anos.

Também sem registro do nascimento, a jiboia, entregue pela Polícia Militar em 1998, tem hoje cerca de 19 anos, e a expectativa de vida é de 25 anos. “Independentemente da idade atual da serpente mantida sob os cuidados humanos, é fundamental que sejam feitas observações rotineiras no estado geral do animal”, diz Brito.

Além de rigoroso controle alimentar, são fundamentais para garantir o bem-estar dos animais exames periódicos e adequação da temperatura e da umidade nos ambientes.

Com 26 anos de idade, a babuíno-sagrado fêmea Capitu precisa de cuidados especiais para se locomover. Foto: Andre Borges/Agência Brasília. 

Casuar, com 15 anos, é uma das aves mais antigas do Zoológico. Foto: Andre Borges/Agência Brasília.

Uma das cascavéis do plantel, com por volta de 17 anos. Foto: Andre Borges/Agência Brasília.