Governo do Distrito Federal
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6/06/17 às 12h02 - Atualizado em 30/10/18 às 11h18

Correio: Queimadas em época de seca agravam a crise hídrica

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Sema na Imprensa

Do Correio Braziliense

Áreas incendiadas têm sua flora destruída, o que faz com que o solo absorva menos água e o recurso não chegue ao lençol freático e às nascentes que abastecem os reservatórios

Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, data criada para dar visibilidade às lutas relacionadas à preservação da fauna e da flora, o Distrito Federal aciona o botão de alerta. O começo de junho marca o início do período crítico da seca, onde é registrado o maior número de incêndios na região. Em 2016, a área atingida pelo fogo foi cinco vezes maior que a Região Administrativa de Águas Claras. Neste ano, a situação é ainda mais crítica, pois as áreas consumidas pelo fogo têm a sua flora destruída, o que faz com que o solo absorva menos água e o recurso não chegue ao lençol freático e às nascentes que abastecem os reservatórios.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) espera chuvas consideráveis apenas em outubro, motivo que levou o Governo do Distrito Federal a declarar estado de emergência ambiental até dezembro para minimizar a quantidade de incêndios ambientais. Desde 2015, esse número tem subido e, para este ano, o Corpo de Bombeiros e a Secretária de Meio Ambiente (Sema) trabalham com um cenário ainda pior.
 
O ecossociólogo Eugênio Giovenardi explica que impedir incêndios nas áreas de vegetação contribui para que, na próxima estação de chuvas, a água infiltre com mais facilidade no solo. “Com a queima da flora, o solo perde parte da capacidade de retenção da água da chuva e, assim, o recurso não consegue chegar aos lençóis freáticos e às nascentes”, analisa. Durante o período de estiagem, que varia entre 90 e 120 dias, o meio ambiente se adapta à falta de água, o que o deixa propício a incêndios. “As árvores deixam cair parte ou totalidade das folhas, as nascentes diminuem a vazão. Todo ambiente fica mais seco, o que é outro facilitador de incêndios”, explica.
 
Mesmo com o nível do Reservatório do Descoberto tendo ficado 1,2 ponto percentual acima do esperado pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa) para o mês de maio, Eugênio afirma que o período ainda é de alerta. “Além do problema da crise hídrica, a destruição causada por um incêndio atinge todo o meio ambiente ao seu redor. A fumaça tóxica e as consequências das chamas diminuem as condições de sanidade para todas as vidas que moram por lá. Árvores, pássaros, insetos e animais, todos são prejudicados”, enumera o especialista.

Seca mais rígida

Em outubro de 2015, o DF registrou temperatura máxima de 35,9°C em um dia e 36,4°C no seguinte, batendo os recordes de calor registrados em 2008. No mesmo período, a umidade relativa do ar chegou a 10%. Um dos motivos dessas alterações são os fenômenos climáticos como o El Niño e o La Niña, que, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, têm como reflexo o aumento do tamanho da área atingida por incêndios. Para evitar que esse quadro agrave ainda mais a crise hídrica no DF, as áreas de nascente estão entre as prioridades da Secretaria de Meio Ambiente. Uma das nossas principais metas é proteger as regiões onde nasce a água que abastece os reservatórios do DF. Devido à nossa atual situação, não podemos permitir a destruição da flora dessas regiões”, destaca a subsecretária de Serviços Ecossistêmicos da Secretaria do Meio Ambiente, Nazaré Soares.
 
Ela afirma que, para evitar que o número de registros de incêndio continue crescendo, a Sema deu início às campanhas de conscientização mais cedo. “Além da ação publicitária, estamos aumentando o número de mutirões e brigadas voluntárias e realizando blitz educativas em áreas com maior probabilidade de incêndios”, explica Nazaré Soares. Queima de lixo, poda e plantação alta são os principais causadores de incêndios. Provocar incêndios florestais é crime ambiental, mesmo se não for de forma intencional. Os autores respondem em esfera administrativa e criminal, chegando a pagar multas e sendo obrigados a recompor a vegetação destruída. “Além disso, é proibido queimar restos vegetais e lixos nas áreas urbanas e semiurbanas no DF. Mas, para evitar todo o desgaste de um processo, nós preferimos focar em ações educativas, para sensibilizar e ensinar a população sobre a seriedade do ato”, reforça
 
O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Glauber De Lala Fuente observa que o crescimento da área atingida pode ter como causa o aumento do número de viaturas destinadas a atender essas ocorrências. Nazaré Soares, da Sema, acrescenta que uma melhora na comunicação também melhorou o atendimento. “Criamos um grupo de mensagens com integrantes de todos os órgãos que participam da prevenção e combate a incêndios florestais, assim, se alguém vir um foco de incêndio em qualquer área, pode enviar uma mensagem para acionar o atendimento.”

Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília.