Governo do Distrito Federal
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Índice de Sustentabilidade

A sustentabilidade e o risco hídrico são aspectos fundamentais para o planejamento e a gestão sustentável das bacias hidrográficas, e também para o estabelecimento de medidas efetivas de adaptação às distintas ameaças climáticas e humanas.

 

No âmbito do Projeto CITinova/CGEE foi realizado estudo que teve por objetivo estimar o grau de sustentabilidade hídrica e integrada de bacias estratégicas do Distrito Federal, avaliar o risco hídrico de uma bacia piloto e propor medidas de adaptação às ameaças identificadas. As bacias analisadas foram a do rio Paranoá (1.056 km2), a bacia do rio Descoberto, considerando a parte contida no Distrito Federal (801 km2), e a do ribeirão Rodeador (113 km2), que é uma sub-bacia do Descoberto, tomada como bacia piloto no presente estudo.  As duas primeiras são reguladas por reservatórios e a última é a fio d’água.

 

Para estimar a sustentabilidade hídrica inter-anual das bacias, foi usado o Índice SDRH de Xu et al. (2002), que faz um balanço entre as ofertas e demandas anuais de água. O SDRH foi aplicado no cenário atual (1979-2017) às bacias do Descoberto, Paranoá e Rodeador, e também a dois cenários futuros de clima e de demanda de água, na última.

 

Os cenários futuros da bacia piloto do Rodeador incluíram o tendencial (RPC 4.5) e o pessimista (RPC 8.5) de emissões do IPCC. Para tanto, foram utilizadas projeções de precipitação e temperatura em 2040 e 2070, geradas pelo modelo HadGEM2 e regionalizadas pelo modelo Eta, na escala de 5×5 km.

 

No cenário atual, a sustentabilidade hídrica das bacias do Descoberto e Paranoá foi de 0,32 e 0,66, respectivamente, sendo classificadas como mediana (0,2<SDRH <0,8). A sustentabilidade hídrica da bacia do ribeirão Rodeador, que foi de 0,58 (média) no cenário atual, passaria para valores inferiores a 0,2 (baixa) nos futuros cenários de clima e de demanda de água.

 

Para avaliar o risco hídrico intra-anual da bacia-piloto do Ribeirão Rodeador, foi desenvolvido um índice estocástico de risco hídrico (IRH) baseado na probabilidade de falha de sistemas, onde a oferta e a demanda de água foram consideradas variáveis aleatórias. O IRH foi aplicado à bacia do ribeirão Rodeador nos cenários atual e nos anos de 2040 e 2070 (RPC 4.5 e 8.5).

 

O risco hídrico da bacia do Rodeador passou de 15,3%, no cenário atual, para valores entre 25% e 100%, em 2040 e 2070 respectivamente, principalmente em função da redução das vazões na bacia, decorrente da diminuição da precipitação anual e do aumento da temperatura.

 

Para avaliar a sustentabilidade integrada das bacias dos rios Paranoá e Descoberto, foi aplicado o Índice de Sustentabilidade de Bacias-ISB (Chaves; Alípaz, 2007). Neste índice, dados relativos aos quatro indicadores (hidrologia, meio ambiente, vida humana e políticas públicas) foram obtidos de dados secundários e de questionários enviados para gestores, permitindo o cálculo do índice ISB.

 

No cenário atual (2015-2018), as bacias do Descoberto e do Paranoá apresentaram um nível médio de sustentabilidade integrada (0,66 e 0,68, respectivamente). Os fatores que limitaram a sustentabilidade nessas bacias foram a baixa disponibilidade per capita de água e a limitada capacidade de resposta às ameaças presentes.

 

Em função de seu aspecto universal, a metodologia do presente estudo pode ser replicada nas demais bacias do DF e entorno, permitindo a estimativa de sua sustentabilidade e seu risco hídrico, fortalecendo assim o processo de planejamento e gestão dessas bacias.

 

Bacia do rio Paranoá. Fonte: Geoportal/DF.

 

Bacia do rio Descoberto. Fonte: Geoportal/DF.

 

Oficina sobre sustentabilidade e risco hídrico realizada em julho de 2019. Fonte: Autores.