Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
7/07/20 às 18h46 - Atualizado em 7/07/20 às 18h46

Sema instala poços de monitoramento para avaliar contaminação do antigo Lixão da Estrutural

COMPARTILHAR

A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) está realizando a coleta de águas superficiais dos córregos Acampamento, Ribeirão Bananal e Cabaceira do Valo para avaliar se o chorume do Lixão da Estrutural, acumulado durante décadas chegou às nascentes próximas à área. O local, ao lado do Parque Nacional de Brasília, ficou conhecido como o maior depósito de lixo a céu aberto da América Latina.

 

Essa atividade está entre as ações prioritárias da Sema: a elaboração de um diagnóstico, junto com proposta de remediação para toda a área de influência local, utilizando tecnologias inovadoras. O estudo, demandado pela Sema, é desenvolvido pela Universidade de Brasília (UnB).

 

Segundo o secretário de meio ambiente do Distrito Federal, Sarney Filho, no caso do Lixão da Estrutural, que encerrou o recebimento de resíduos sólidos urbanos (RSU) há quase dois anos, o local gera preocupação, pois concentra enorme quantidade de chorume e gás metano no solo, além de possuir grandes volumes de lixo enterrados em decomposição.

 

Com os resultados dessa iniciativa será possível orientar o Governo do Distrito Federal (GDF) na elaboração do Plano de Gerenciamento de Contaminantes do antigo lixão da Estrutural e na implantação de ações a curto, médio e longo prazo para a descontaminação dos corpos hídricos superficiais e subterrâneos, do solo e do ar. Os estudos do projeto darão subsídio para a elaboração de estratégias para descontaminação da área, promovendo a reparação aos danos causados ao meio ambiente.

 

A iniciativa integra o CITinova – Planejamento Integrado e Tecnologias para Cidades Sustentáveis, projeto multilateral elaborado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (Mctic). Executado pela Sema, com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e é gerido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).

 

Etapas

Ainda dentro das atividades previstas na ação, a Sema vem concluindo a perfuração de poços para medir o nível de contaminação de chorume – líquido escuro que sai do lixo. Os poços, que estão sendo instalados na área urbana da Estrutural, no Parque Nacional de Brasília e na própria área do Lixão, possuem de 20 a 80 metros de profundidade e oito polegadas de diâmetro. Já foi concluída a instalação de 12 poços, faltando apenas mais oito para a conclusão dessa etapa.

 

“É preciso perfurar, descer uma tubulação de PVC, cercar e instalar uma proteção em cada um deles. Com a construção dos poços, vamos bombear o chorume e monitorar os reservatórios de água subterrâneos”, explicou o coordenador técnico do projeto e diretor do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB), professor Eloi Campos.

 

Tais ações envolvem, além da universidade, a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) e uma empresa contratada, e só foram possíveis porque são feitas ao ar livre e com equipe reduzida de profissionais, além, é claro, de terem sido mantidas as devidas recomendações pela Covid-19.

 

Técnicas inovadoras

Segundo o professor Campos, mesmo sem depositar mais lixo, a chuva infiltra na região e dilui o chorume, que por sua vez segue migrando. “O que ainda não tem resposta é: onde que essa pluma chegou? Sabemos que ela se direciona para o interior do Parque Nacional e também para a cabeceira do córrego Vicente Pires, que é local de captação de água pela Caesb. Então, tratar o chorume e evitar essas rotas são pontos importantes”, destacou.

 

Uma das ações previstas no projeto é a implantação da fitorremediação para avaliar a absorção de poluentes na área demarcada e testar tecnologias inovadoras para retirada ou a estabilização de metais nos solos. Já foram plantadas 400 mudas de espécies nativas e 100 mudas de eucalipto em uma área piloto de um hectare do antigo Lixão. Entre as espécies do Cerrado estão: mudas de baru, mama-cadela, angico, ipê-roxo, fedegoso, cedro, jatobá, copaíba, mulungu e pata-de-vaca, além de sorgo e girassol, outras espécies de ciclo curto.

 

 

Assessoria de Comunicação

Secretaria do Meio Ambiente