Governo do Distrito Federal
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17/09/21 às 17h45 - Atualizado em 17/09/21 às 19h16

Coleta seletiva contribui para redução de emissão de gases do efeito estufa

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A presidente da Cooperativa de Trabalho Especial Liberdade para Sonhar, Alessandra Alves Lopes, trabalha no ramo de reciclagem há, pelo menos, vinte anos. No período já atuou em aterro sanitário, no antigo Lixão da Estrutural, na Usina de Reciclagem da Asa Sul e atualmente tira seu sustento no Complexo Integrado de Reciclagem do Distrito Federal (CIR), inaugurado em dezembro passado. Alessandra contou sua história na manhã desta quinta-feira, (16/9), durante o Webinário Cerrado, no painel “Coleta Seletiva em Condomínios – Como Fazer”. O evento foi realizado pela Secretaria de Meio Ambiente, como parte da programação da Semana do Cerrado.

 

O CIR é a realização de um sonho para os catadores de materiais recicláveis do DF. Alessandra  e os demais trabalhadores, cerca de 500, encontram lá uma infraestrutura perfeita para recepção, triagem, classificação, prensagem, armazenamento e comercialização dos materiais recicláveis advindos da coleta seletiva.

 

O espaço, que ocupa uma área de 80 mil m² na Cidade Estrutural, é um dos mais modernos equipamentos públicos para reciclagem de resíduos do país, com duas Centrais de Triagem e Reciclagem (CTRs) e uma Central de Comercialização (CC). Os cooperados usam equipamentos de segurança e outros equipamentos à disposição. Mas falta o mais importante. Um material composto só por recicláveis para ser separado e vendido de acordo com o tipo. DE acordo com ela, muitas vezes,  a maior parte do conteúdo coletado pelos caminhões e que passa pelas  esteiras é composto por rejeito e lixo orgânico. O resultado é menos renda e mais trabalho para os catadores.

 

“Nós fazemos um trabalho de formiguinha. Mas se for preciso, vamos até às pessoas, aos condomínios, damos palestras, fazemos um evento, um festival – tudo para ensinar como fazer. Precisamos da mobilização da população para fazer o descarte correto dos resíduos gerados e, assim, garantir nosso sustento”, afirma.

 

O recolhimento de resíduos unicamente recicláveis nos dias destinados para tal, é um dos desafios do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), junto à separação dos resíduos na ponta, a falta de engajamento dos moradores e ainda a dificuldade causada quando a coleta não acontece na região. É o que conta a coordenadora de Comunicação do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), órgão responsável pela coleta, Luana Lemos.

 

Informação – De acordo com Luana, nos lugares onde não há coleta seletiva, a alternativa são os Papa-Recicláveis e os Papa-Entulho também sob a responsabilidade do SLU. Para conhecer a localização deles e receber dicas de como fazer uma coleta dentro dos parâmetros, o site do SLU traz material informativo como cartilha e manual. Outro serviço prestado é a disponibilização de um aplicativo que, além de informações, avisa os dias e horários de coleta em cada região administrativa.

 

Luana também contou sobre a Campanha Cartão Verde. Nela, o SLU distribui cartões após avaliar os resíduos coletados em condomínios e residências por três semanas seguidas. Os verdes vão para quem fez a separação correta. O amarelo quando há mistura e o vermelho, quando não há separação.

 

Cartão Verde – A prefeita da SQN 115 e subsíndica de um dos blocos da residencial, Vera Rauber  Coradin, falou da alegria em já ter recebido quatro Cartões Verdes do SLU. No webinário, ela mostrou como o seu bloco se organizou para coletar os resíduos em contêineres para resíduos orgânicos e secos ainda em cada andar. O prédio disponibiliza também espaços para o recolhimento de papelão, vidro, pilhas e baterias e lixo eletrônico. “Me doía ouvir o barulho do vidro quebrando quando entrava no caminhão. Depois que compramos o container, recolhemos  mais de 1,5 tonelada semanalmente”, conta. De acordo com ela, o próximo passo será dado na compostagem dos resíduos orgânicos. “Estamos aguardando a regulamentação da Lei que institui a obrigatoriedade da destinação ambientalmente adequada de resíduos orgânicos por meio dos processos de compostagem ou outro tratamento biológico, para dar seguimento a esta ação”.

 

Emissões – Coordenadora do painel, a gerente de Implementação da Política de Resíduos Sólidos, Maria Fernanda Teixeira, da Sema, fez questão de relacionar o tema da Semana do Cerrado com as discussões sobre coleta seletiva. “Cuidar do Clima, Cuidar da Gente é o tema do evento. No Distrito Federal as emissões de gases contribuintes para o efeito estufa por meio do tratamento de resíduos está em terceiro lugar. Perde apenas para o setor de energia e o uso de terra e florestas”, explica. Assim, quanto maior a quantidade de resíduos coletados e destinados corretamente, menor será o montante que terá seu destino final em aterros sanitários.

 

Segundo Fernanda, é fácil fazer a coleta seletiva em condomínios e residências. “É um gesto simples. Mas é preciso participação das pessoas e sua organização em torno da proposta”, alerta.   No ano passado, o Governo do Distrito Federal incentivou a população com a campanha de educação ambiental ‘Continue acertando’, veiculada nas Redes Sociais. Criada ainda no período de isolamento social, as mensagens foram transmitidas pelos próprios servidores públicos.

 

“Em um dos vídeos, as consequências do descarte inadequado sobre o clima são mostradas ao apontar fatores de relevância que justificam a necessidade da coleta seletiva, como o ambiental, o econômico e o social, por meio do trabalho dos catadores de materiais recicláveis”, diz.