Governo do Distrito Federal
1/12/22 às 11h23 - Atualizado em 1/12/22 às 11h23

Sema/DF promove oficina com parceiros pela sustentabilidade da Bacia do Descoberto

Organizações parceiras apresentaram suas experiências e se uniram para buscar soluções comuns

 


Andrea Carestiato, assessora técnica da Sema/DF, apresentou ações de segurança hídrica do Projeto CITinova


 

A Secretaria do Meio Ambiente do Distrito Federal (Sema/DF) promoveu, no dia 17 de novembro, uma oficina de sustentabilidade para avaliar o status da implementação de ações de preservação e recuperação da Bacia do Descoberto, promover o compartilhamento de informações e prospectar os próximos passos. O evento aconteceu no Rancho Paraná, em Brazlândia, na área de abrangência da Bacia do Descoberto, e contou com palestrantes de instituições parceiras. A ação teve o apoio do Projeto CITinova de Planejamento Integrado e Tecnologias para Cidades Sustentáveis.

 

A subsecretária de assuntos estratégicos da Sema, Márcia Coura, deu início ao evento dando as boas vindas às entidades parceiras e falando do objetivo da oficina: ”Nós buscamos reunir as principais instituições e atores que têm atuado na região com ações que promovem estudos, adotam medidas de recuperação ambiental e boas práticas, com foco na proteção dos recursos hídricos da Bacia do Descoberto”, afirmou. De acordo com a subsecretária, a partir das participações apresentadas por cada organização, será possível identificar os avanços e as situações que exigirão maior dedicação em uma próxima gestão.

 

O diretor da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Haroldo Toti, um dos parceiros no evento, destacou a importância da conscientização das pessoas a respeito do tema: “Nós precisamos convencer a população do DF de que a Bacia do Descoberto tem que ser preservada, as pessoas não podem fazer casas perto das nascentes porque não fará bem para seus filhos e nem para seus netos. A grande preocupação de todos nós, que somos órgãos e entidades, é convencer que a preservação é o futuro deles”.

 

AÇÕES

 

O Projeto CITinova realizou a composição de 80 hectares de vegetação nativa em áreas de nascentes, APP e áreas de recarga hídrica no DF. ”Cada local recebeu um tratamento técnico para formar um diagnóstico das principais áreas afetadas pela degradação e onde seriam feitas as restaurações ambientais”, explicou a assessora técnica, Andréa Carestiato. Além da implementação, também foi proporcionada a manutenção dos plantios e o monitoramento das áreas.

 

A implementação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) Mecanizados em 32 propriedades de pequenos agricultores rurais foi outra ação citada. ”Temos resultados muito importantes do ponto de vista do empoderamento do produtor e das produtoras rurais, com as quais tivemos uma atenção especial”, destacou Nazaré Soares.

 


Nazaré Soares, coordenadora geral do Projeto CITinova, fazendo a introdução da oficina

 

Foram testados três métodos mecanizados, demonstrados em oficinas com o precursor em sistemas agroflorestais, o alemão radicado no Brasil, Ernest Gotsch. ”O foco principal era trazer uma inovação na agrofloresta para que se tornasse atrativo para o produtor, pois há uma queixa geral de que o SAF é trabalhoso de manter. Então, em 2016, quando a Sema elaborou o projeto, o objetivo era que a implementação fosse mais prática para o produtor”, explicou a coordenadora.

 

As Bacias do Descoberto e do Paranoá aportam mais de 60% dos recursos hídricos utilizados pela população do DF. De forma a estimar o uso desses recursos, foi apresentado um novo índice de sustentabilidade e de riscos hídricos das bacias do DF, desenvolvido pelo Projeto CITinova. O estudo teve por objetivo estimar o grau de sustentabilidade hídrica e integrada das bacias e propor medidas de adaptação às ameaças identificadas. O Índice de Sustentabilidade das Bacias encontra-se disponível no site da Sema/DF aqui e poderá ser usado como referência para estudos e ações futuras.

 

PARCEIROS

 

O engenheiro agrícola da Agência Reguladora de águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa), Wendel Lopes, apresentou o Projeto Produtor de Água, concebido pela Agência Nacional de Águas (ANA), com o foco na redução da erosão, assoreamento, melhoria na qualidade da água e regulação do regime hidrológico.

 

”Um dos objetivos é auxiliar na segurança hídrica. É um projeto muito atrativo tanto para o produtor quanto para a sociedade em geral”, reforçou Wendel. Segundo o engenheiro, além de abastecer 60% da população do DF, a bacia também produz 70 toneladas de hortaliças anualmente, além de frutas e pescados, gerando uma grande quantidade de empregos para a população.

 

A engenheira ambiental da Empresa de Assistência Técnica do Distrito Federal (Emater-DF), Anne Borges, também participou apresentando as ações da entidade relacionadas ao tema, como o levantamento georreferenciado das captações nas sub-bacias do Descoberto, campanhas de comunicação social para promover a divulgação das ações de economia de água e a revitalização dos Sistemas Públicos de Abastecimento de Água para Irrigação na Bacia do Descoberto.

 

A pesquisadora da Embrapa Cerrados, Fabiana Aquino, falou da evolução dos estudos de restauração ambiental realizados pela empresa. ”O que vemos nas áreas de restauração é que há uma evolução enorme das técnicas. Hoje em dia, sabemos que o que restauramos é o processo ecológico, o solo, a fauna e a flora. Áreas que têm um alto potencial de regeneração não têm tanta necessidade de intervenção. Estamos tentando avaliar, criar um mapa de áreas que realmente precisam de intervenção e, para isso, podemos usar o diagnóstico realizado pelo Projeto CITinova”, disse. Ela citou o Sistema Distrital de Informações Ambientais (Sisdia), criado pelo Projeto CITinova, como ferramenta de referência para subsídios do trabalho da Embrapa Cerrados.

 

O secretário de Meio Ambiente da prefeitura de Águas Lindas, Mauro dos Santos, apresentou algumas ações de conscientização ambiental realizadas na bacia, dentre as quais, a criação do Parque Estadual Águas Lindas. O superintendente da Caesb, Vladimir Puntel, afirmou que a criação do parque é uma das ações mais importantes de preservação da Bacia do Descoberto que já foram feitas. ”Esse parque cumpre uma função ambiental com o Distrito Federal que não tem preço”, concordou Nazaré Soares.

 


O diretor da Caesb, Haroldo Toti, começou o evento falando da importância da conscientização das pessoas a respeito do tema

 

EXPERIÊNCIAS

 

”Ter um evento como esse nos reacende a esperança, e é quando mais temos que manter a união porque a causa é nobre”, revelou a presidente da Associação Pro-Descoberto, Roseny Carvalho. Ela contou a história de sua família, residente do Rancho Paraná, e que anteriormente morava onde foi feito o Lago do Descoberto.

 

Com a necessidade de ter uma representatividade dos agricultores rurais da Bacia do Descoberto para defesa de suas propriedades, surgiu a Associação Pró-Descoberto. ”A gente queria continuar sendo dono dessa área para cuidarmos”, relatou Roseny. Em determinado momento, foi feito um acordo com o governo que, ao invés de desapropriar os produtores rurais para a proteção do Lago do Descoberto, os próprios agricultores fariam o reflorestamento da região. ”Hoje, nós temos mais de 20 mil mudas em torno do lago, com uma grande diversidade de flora e fauna. Então, o produtor tem sede de participar das mudanças. O Descoberto me mostrou que, nós agricultores, juntos, somos mais fortes”, declarou Roseny.

 

Ao final do evento, foi feita uma mesa redonda de debates com o objetivo de discutir sobre as experiências e os avanços nas ações de preservação, assim como as lacunas e os desafios que ainda existem. Os participantes se comprometeram a encaminhar um relatório à Sema/DF com as experiências e os desafios enfrentados. Com base nas contribuições, será realizado um relatório final que servirá de referência para futuras ações de proteção da Bacia do Descoberto.

 

Dentre os participantes do evento, estavam os representantes do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Centro Internacional de Água e Transdisciplinaridade (CIRAT), Associação Pro-Descoberto, Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa), Agência Nacional das Águas (ANA), Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Águas Lindas (Semma), Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Empresa de Assistência Técnica do Distrito Federal (Emater-DF) e Empresa Brasileira de Pecuária e Agricultura do Cerrado (Embrapa-Cerrados).

 

O CITinova é um projeto multilateral coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) para a promoção de sustentabilidade nas cidades brasileiras por meio de tecnologias inovadoras e planejamento urbano integrado. Com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), é implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e executado, no DF, pela Sema.

 

Assessoria de Comunicação

Secretaria do Meio Ambiente