Governo do Distrito Federal
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10/11/21 às 17h56 - Atualizado em 10/11/21 às 17h56

Visitas técnicas da coordenação nacional às ações do CITinova no DF se encerram com êxito

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As ações desenvolvidas pelo Governo do Distrito Federal por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema) com apoio do CITinova receberam avaliação positiva da Coordenação Nacional do projeto, após uma série de visitas técnicas virtuais, que ocorreram entre os dias 26 e 27 de outubro e nesta segunda-feira, 8/11. Na última rodada foram apresentadas as iniciativas relacionadas à gestão de recursos hídricos e de remediação do antigo Lixão da Estrutural. No DF, os investimentos são de ordem de 6,9 milhões de doláres, dos quais 43% foram executados até setembro. As ações tiveram início em 2019 e seguem até o ano que vem.

 

O CITinova é um projeto multilateral realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Os recursos são do Global Environment Facility (GEF), a implementação está a cargo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a execução, em Brasília, pela Sema, em parceria com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).

 

“Estamos bem impressionados com o que vimos, as apresentações nos deram uma dimensão bem atualizada do andamento do projeto no DF”, disse o diretor nacional do projeto no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Luiz Mourão do Canto Pereira. Para ele, as visitas técnicas serviram como espaço de aperfeiçoamento dos projetos considerando que é fundamental que todos os atores envolvidos estejam em sintonia fina para acompanhar cada passo no que compete ao GDF.

 

O gestor de portifólio América Latina e Caribe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Asher Lessels, representante também do Fundo Global de Meio Ambiente (GEF), parabenizou a Sema pela qualidade técnica do trabalho. “As atividades no projeto e na Sema são muito importantes para a gente. Agradeço o tempo, a paciência e o nível das apresentações, que nos permitiram entender onde estamos”, disse.

 

Os próximos passos devem ser visitas técnicas presenciais para melhor visualização das ações no território, previstas para acontecer no antigo Lixão da Estrutural e na zona rural, onde estão instalados Sistemas Agroflorestais (SAFs), além da formalização do pedido de prorrogação por mais um ano, por parte da Sema, devido a atrasos decorrentes da Pandemia de Covid-19. “Estou muito contente com o resultado dessa interação. Esse retorno é muito importante para nós”, disse a subsecretária de Assuntos Estratégicos da secretaria, Márcia Coura.

 

Também participaram as coordenadoras nacional, Ana Lúcia Stival e técnica, Angelica Griesinger e no GDF, Nazaré Soares, a secretária executiva, Marilia Marreco Cerqueira e a subsecretária de Gestão Ambiental e Territorial, Maria Sílvia Rossi, da Sema. Além de técnicos e gestores da pasta.

 

Apresentação

 

O coordenador técnico do estudo, professor Eloi Campos, do Departamento de Hidrogeologia e Geologia Ambiental da Universidade de Brasília (UnB) apresentou resultado do Diagnóstico ambiental e propostas para a remediação Antigo Lixão da Estrutural. Com orçamento de
R$ 1,3 mi foi, a executado por meio de contrato com a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) é responsável pela consultoria, que começou em 2019 e se encerrou este ano.

 

De acordo com o estudo, a área contaminada pelo acúmulo de resíduos no Antigo Lixão da Estrutural e adjacências é menor do que o previsto. Ele explica que o resultado não indica que a área esteja descontaminada. “Mas a gente acreditava que ia se deparar com uma situação bem mais complexa e grave”, disse.

 

Segundo o professor, entre os fatores que contribuíram para o resultado estão a resiliência da natureza e a reciclagem dos resíduos sólidos pelos catadores que ao longo dos anos trabalharam no local. “Por conta disso, alguns tipos de materiais não foram encontrados nas amostras coletadas”, explica.

 

O diagnóstico incluiu dados da contaminação das águas superficiais, subterrâneas, dos solos, proposição do mapa potenciométrico do aquífero freático, caracterização dos resíduos sólidos e apresentação do modelo conceitual do fluxo de contaminantes.

 

As conclusões do trabalho indicam que o maior problema apontado está vinculado à contaminação das águas subterrâneas, já que a pluma de contaminação adentra a área urbana da Cidade Estrutural e o Parque Nacional de Brasília (contudo, com baixa densidade) e já alcançou o córrego Cabeceira do Valo, embora não tenha chegado às cabeceiras dos córregos Acampamento e Bananal.

 

Na área foram realizadas, em caráter experimental, ações de remediação, que se concentram no tratamento do chorume; na fitorremediação com plantio de espécies nativas e exóticas, que possam reter metais identificados no solo e no enclausuramento do chorume para evitar que continue se espalhando. A ideia é dar prioridade ao uso de novas tecnologias com menor custo. O trabalho tem como apoiadores CEB, SLU, Secretaria de Projetos Especiais (Sepe), Terracap e Instituto Brasília Ambiental (Ibram).

 

 

Segurança Hídrica

 

Durante a manhã, a equipe da Subsecretaria de Gestão das Águas e Resíduos Sólidos (Sugars) da Sema apresentou as iniciativas de Recuperação de Nascentes e Áreas de Preservação Permanentes (APPs); a implantação de boas práticas, pesquisas e inovações nas bacias do Descoberto e do Paranoá; e o Índice de Sustentabilidade das Bacias Hidrográficas.

 

As ações têm foco na segurança hídrica e abastecimento público do Distrito Federal. Para recuperar nascentes e APPs, de março de 2020 até o primeiro semestre de 2021, foram implantados 82,78 hectares com o plantio de 61 mil mudas em áreas selecionadas em propriedades de pequenos produtores rurais e nos Parques Ecológicos de Águas Claras e do Riacho Fundo.

 

Boas práticas, pesquisas e inovações

 

Dentro das atividades de boas práticas agrícolas, foi apresentado o Sistema Agroflorestal (SAFs) Mecanizado. O objetivo do projeto-piloto é promover uma prática agrícola sustentável que contribua com a segurança hídrica da região e a geração de renda para os pequenos agricultores.

 

A agrofloresta é um tipo de cultivo que combina o plantio de espécies florestais e nativas com culturas agrícolas. E para facilitar a implantação desse sistema em larga escala, foram adquiridas e testadas três máquinas inovadoras: a subsoladora com enxada rotativa, a ceifadeira-enleiladeira e o podador de altura. No total, foram implantados 20 hectares nas Bacias do Descoberto e do Paranoá, contemplando 37 famílias.

 

Nazaré Soares, coordenadora técnica do CITinova, destacou a importância da etapa de monitoramento dos SAFs após a sua implantação. Esses resultados são importantes para concluir o processo de sistematização e disponibilizar as informações nas plataformas do projeto: Sisdia e do Observatório de Inovação para Cidades Sustentáveis, do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), para que as iniciativas sejam replicadas em outras cidades brasileiras.

 

Além disso, para sensibilizar e mobilizar as mulheres para a proteção e uso sustentável da água, foram realizadas as Oficinas de Água, Gênero e Pertencimento: Cidadania para o Uso e Governança Sustentável da Água nas Bacias Hidrográficas do Descoberto e Paranoá.

 

As atividades aconteceram entre 31 de maio e 26 de junho de forma virtual e contou com 122 pessoas. No dia 11 de setembro, a oficina presencial reuniu 17 agricultoras no Acampamento Canaã, em Brazlândia.

 

 

Ainda em relação à questão hídrica, foi realizado o índice de sustentabilidade das bacias hidrográficas do Descoberto e do Paranoá e da microbacia do Rodeador, que aponta cenários para curto, médio e longo prazos e indica ferramentas para a apoiar a gestão pública, junto à ciência, e garantir a segurança hídrica do DF. O estudo estará disponível em breve na página da Sema, no formato e-book.

 

Por fim, foi apresentada a pesquisa sobre água magnetizada aplicada à irrigação. O projeto-piloto pretende verificar se a técnica pode gerar economia de água com o teste de três magnetizadores: dois importados e um desenvolvido por pesquisadores brasileiros.

 

O plantio de alface, rabanete e milho foi realizado em sistema aberto, na Chácara Colina, em Brazlândia, e obteve bons resultados. Agora, a pesquisa segue em sistema fechado, na estufa da Fazenda Água Limpa, da Universidade de Brasília.